A carreira na Meia-Idade: Problema ou Oportunidade?

A carreira na Meia-Idade: Problema ou Oportunidade?

Existe no Brasil uma crença disseminada de que os profissionais mais velhos são menos produtivos. Vejamos como o Estadão tratou da recente redução de vagas no mercado de trabalho:

“As vagas de emprego com carteira assinada para os trabalhadores mais velhos e com baixa escolaridade estão sendo fechadas. As empresas estão diminuindo as ofertas para esses grupos por considerá-los pouco produtivos – agregam baixo valor para a companhia.” no artigo Vagas para trabalhador mais velho e menos qualificado ficam mais escassas (27/7/2013)

Embora inicialmente pareça que a situação está ruim apenas para os trabalhadores mais velhos e com menos qualificação, a questão é depois esclarecida: basta ser mais velho para ser considerado menos produtivo, independentemente da qualificação. Na constatação do economista Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas:

“(…) as empresas deixam de contratar os trabalhadores que são considerados menos produtivos: os mais velhos e os menos escolarizados”.

Redução de emprego para profissionais maduros

Se isso é mesmo verdade (ser mais velho é sinônimo de improdutividade), então não sabemos como as empresas brasileiras vão se haver com o aumento da expectativa de vida no país, que implica de fato que teremos que nos virar com uma mão de obra mais envelhecida (e mais experiente).

De acordo com uma recente pesquisa feita pela consultoria PwC, em parceria com a FGV-SP , a quantidade de pessoas com mais de 40 anos que fazem parte da população ocupada aumentou de 38,9%, em 2003, para 42,1% em 2009.

O grupo populacional com menos de 30 anos já registra taxas negativas de crescimento e, a partir de 2030, os únicos grupos que terão crescimento positivo serão aqueles com mais de 45 anos. De modo que, a partir de 2040, mais da metade da população economicamente ativa terá mais de 45 anos.

A conclusão inevitável é que num horizonte de pouco mais de uma década esta prática de substituir os profissionais maduros pelos mais jovens não será uma opção. Simplesmente porque os jovens serão um artigo raro no mercado de trabalho.

Alternativas para Profissionais Maduros

Enquanto isso não se concretiza, quais são as opções para os profissionais de meia-idade, que precisam sobreviver num mercado de trabalho cada vez mais hostil?

  • Plano B: Não espere estar fora no mercado de trabalho para começar a desenvolver o seu Plano B. Quer seja uma nova carreira em um outro setor ou a criação de seu negócio próprio, qualquer que seja a sua opção será necessário um tempo para os resultados financeiros começarem a aparecer. Então, ontem foi um bom dia para começar a pensar nas suas paixões e em como trasformá-las em novos projetos!
  • Novas formas de trabalho: O emprego tradicional, com carteira assinada, não é tudo na vida. Que tal se transformar em consultor, prestador de serviço, gerente temporário (interim manager), etc…
  • Encore Career:  Uma “encore career” é um segundo ou terceiro momento de carreira que combina significado pessoal com impacto social e continuidade de renda (“encore” é um número extra executado em um espetáculo, o famoso “bis”) . Veja mais informações (em inglês) em: encore.org

Com a mudança demográfica que o país está passando, vamos todos ter que trabalhar mais e por mais tempo. Compartilhe conosco a sua estratégia para se manter ativo (e atrativo para o mercado)!

5 comments

  1. Nil De Paula says:

    Minha estratégia: Tornei-me autônoma. Portanto, elaboro projetos socioculturais, organizo eventos, ofereço oficinas de jogos cooperativos, faço captação…Sou analista de comunicação, formada em comunicação e pós em gestão de projetos culturais e organização de eventos e gostaria de obter uma boa oportunidade de recolocação (CLT), porém, como verificamos existe essa discriminação de idade, entre outras não explicitas aqui. Evidentemente, estou disposta a aprender, fazer cursos (alguns eu faço online), viajar e conhecer novas línguas mas confesso que os altos e baixos da minha área me deixam insegura na hora de investir em novos cursos, viagem e afins. Sim, estou na ativa dentro das minhas possibilidades, sou otimista e tenho o que trocar com as Instituição, fora isso, se não souber algo corro atrás e se tiver oportunidade, treinamento não faço corpo mole. Na minha opinião uma questão é pessoal e a outra é social/ cultural/ organizacional e estrutural, sendo assim, a discriminação é uma questão bem importante – tida como algo normal no dia a dia por algumas empresas e pessoas – e deve ser eliminada por empresas conscientes que realmente se importam com os seus funcionários, povo e país. Sustentabilidade também é isso…?

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